Raquel Rolnik em Fortaleza/Ce

A Urbanista Raquel Rolnik, Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à Moradia Adequada esteve presente hoje (30 de março de 2010) pela manhã na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará no evento que marcou os 19 anos do Centro de Estudos, Articulação e Referência sobre Assentamentos Urbanos – CEARAH PERIFERIA.
Marcado pelos fortes depoimentos de moradores de áreas de risco da cidade de Fortaleza o seminário contou também com as incisivas palavras da professora Raquel, que questionou as prioridades das instâncias governamentais diante da grave situação enfrentada pela população de menor poder aquisitivo.
Na ocasião a relatora especial da ONU também divulgou um pequeno Folder que explicava do que se trata efetivamente o Direito à Moradia segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, reconhecida como direito humano desde 1948. Segundo Raquel, moradia é muito mais do que um teto e quatro paredes (conceito que parece ser o mais amplamente reconhecido pelos agentes envolvidos na produção habitacional, principalmente aquela voltada ao Interesse Social, no Brasil) e, dentre outros componentes, deve incluir:
- Uma condição de ocupação Estável;
- Acesso a serviços, bens públicos e infra-estrutura;
- Localização adequada;
- Adequação cultural e boas condições de habitação.
Novo Blog: Arquiteto Geek

Mais um Blog Cearense pra aquecer os debates Arquitetônicos, Urbanísticos e Tecnológicos na Blogosfera.
Desenvolvido pelo Arquiteto e Urbanista Heron “Hell On” Félix, o blog pretende trazer novidades sobre materiais, tecnologias recém-lançadas ou em desenvolvimento, novas idéias e notícias em prol do bem maior de nosso país.
Show de bola, pra mim é mais um estímulo para não deixar de trazer conteúdos estimulantes sobre nossa área e afins e, quem sabe, debates mais quentes no mundo web!
VITRUVIUS ORIGINAL
Extraida do site: www.obrasraras.usp.br
O Guardador de Rebanhos – Fernando Pessoa
II
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…
VII
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
IX
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
XXI
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
Odes de Ricardo Reis
- Ricardo Reis, 14-2-1933
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Destaque Cearense


O grande vencedor foi o projeto do arquiteto de Manau (AM) Eduardo Quintella Florêncio (figura 3) com a colaboração de Ivvy Quintella e Laurent Troost.

Fontes:
Piniweb
Concursos de Projeto
IAB-RN

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23 º S – Projeto CDHU 2008/2009




